14/11/2008 11:12:29
Por Jornal Tribuna Livre
No Rio de Janeiro, governador e ministro da Saúde anunciam R$ 686 para profissionais que ajudarão no controle da doença
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anunciaram nesta quinta-feira (13), uma gratificação para os 2,5 mil bombeiros que auxiliarão no combate à dengue no Rio de Janeiro. O decreto assinado pelo governador prevê um valor de R$ 686 para os profissionais já diplomados em curso de capacitação. Os recursos, segundo Temporão, serão garantidos pelo Ministério da Saúde.
Cada bombeiro recrutado em quartéis da capital, da Baixada Fluminense e da Defesa Civil tem como meta visitar 800 imóveis, a cada 60 dias. Os bombeiros orientarão moradores sobre medidas de prevenção e aplicarão larvicidas nos ambientes. Até o final de outubro, mil profissionais haviam completado o treinamento.
O reforço à luta contra a doença no estado se justifica pelos números. De janeiro a agosto de 2007, foram notificados no Rio de Janeiro 57.640 casos de dengue. Em 2008, considerando o mesmo período, esse número saltou para 240.411, o que representa um aumento de 317%.
BOM DIA MINISTRO – Pela manhã, o ministro participou do programa Bom Dia Ministro, divulgado pela EBC Serviços. Temporão foi questionado por 15 rádios de todo o Brasil sobre dengue, entre outros assuntos. Confira os principais destaques:
SANEAMENTO - Um fator que facilita ou predispõe o surgimento da dengue é a oferta de água tratada regular. Se as famílias não têm água na torneira, de qualidade, todo dia 24 horas, elas vão estocar, e, dependendo das condições de armazenagem, os recipientes podem ser criadouros para o mosquito.
MOBILIZAÇÃO – O aumento da mobilização da população é muito importante. As pessoas não devem apenas fazer o dever de casa na sua residência ou local de trabalho. Têm que conversar com seus vizinhos e fazer reuniões da rua onde moram, por exemplo.
NOVOS PREFEITOS - Nesse momento, estou muito preocupado, pois há a mudança de prefeitos em muitos municípios. É importante que as equipes de transição, que assumirão a gestão municipal, coloquem a dengue na sua pauta política, para que não haja descontinuidade no desenvolvimento dos trabalhos.
INVESTIMENTO - O Ministério da Saúde está colocando R$ 200 milhões a mais nesse ano, em relação a 2008. Será um total de R$ 1,8 bilhão para o combate à dengue. Também estamos dando todo o apoio técnico aos estados e municípios, principalmente na informação e mobilização da sociedade. Chamo a atenção para que, pela Constituição e pela lei do Sistema Único de Saúde, a função direta de combate ao vetor é uma responsabilidade das prefeituras, com o apoio dos governos dos estados. Portanto, é fundamental o envolvimento dos gestores municipais e estaduais nesse processo.
AÇÃO - Estimulo a realização mutirões e mobilizações, para que, governo local e sociedade, promovam a limpeza das cidades, disseminação de informação e educação.
COMBATE AO MOSQUITO - A questão central é combater o processo de reprodução do mosquito, que é a fase que ele se reproduz em água parada. Um fragmento de casca de ovo no quintal acumula água e pode ser um foco de reprodução. Então mantenha o quintal e as calhas limpas; se a casa tem laje, depois de chover, deve se tirar o excesso de água; as garrafas precisam ficar com a boca para baixo; e é importante ter cuidado com pneu ou recipientes descobertos. Da mesma maneira que é necessária a limpeza da cidade.
INFORMAÇÃO – A população é aliada fundamental neste processo. A informação tem que ser levada para as pessoas e transformada em mobilização. As pesquisas que o Ministério da Saúde dispõe mostram que, no geral, a população brasileira está razoavelmente informada sobre como prevenir a dengue. Mas, falta transformar em ação coletiva.
PROFISSIONAIS DE SAÚDE - Estamos treinando médicos e enfermeiros. Os médicos brasileiros receber um Cd-Rom de atualização sobre como diagnosticar e tratar a dengue, principalmente em estados mais graves. Isso vai servir como créditos no programa de educação continuada dos médicos, ou seja, estamos formando também multiplicadores entre médicos e enfermeiros para que a gente possa ter um exército de profissionais de saúde, bem informados para evitar a morte por dengue.
FORÇAS ARMADAS - Estamos também trabalhando com as Forças Armadas, treinando recrutas em todo o Brasil. Eles servirão como um exército de reserva e, se necessário, serão mobilizados para o combate ao vetor. As Forças Armadas também vão nos apoiar caso haja necessidade, em alguma localidade, de um maior atendimento, quando a rede instalada não conseguir atender a demanda de pacientes.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO - Há uma parceria com o Ministério da Educação para mobilizar as escolas, com material específico para a garotada. A idéia é que se organizem e levem informação para a sua casa, cobrando dos seus responsáveis o que deve ser feito.
MULTAS - Assinei uma portaria, no mês passado, recomendando fortemente aos estados e municípios que, primeiro, orientem os empresários e comerciantes sobre a sua responsabilidade na detecção e controle de focos do mosquito da dengue. Mas, quando os estabelecimentos não cumprem o seu papel e coloquem em risco a saúde da população, eles devem ser notificados na forma da legislação. Então, se o cidadão é dono de um pequeno mercado, ele tem que dar conta dentro do seu comércio de impedir que haja focos de reprodução do mosquito ali.
FUMACÊ - Se não resolver dentro de casa, se não resolver na rua, se a cidade não estiver limpa, se as pessoas não se mobilizarem, pode gastar fumacê o quanto quiser. O problema da dengue não será resolvido assim. Fumacê é uma ação complementar que tem que ser usada ao lado de outras atividades de prevenção, quando necessário.